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quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Não sabemos de onde vimos



Há montanhas de genes invisíveis
que se movem dentro de nós
até nos soterrarem sem vida.

Há dias em que não percebemos
o que de noite vemos
de olhos abertos no escuro.

Há uma guerra sem tréguas
na vida que em paz nos há de açoitar
no instante da morte.

Somos borboletas erráticas
por entre fogos punitivos
que por vezes são vazios de sentido.

Frágeis como teias,
suportamos fardos escondidos
nas ideias feitas de pecado.

Frutos maduros de dogmas,
não sabemos de onde vimos
nem para onde vamos.

Entregamo-nos à existência
sem sabermos para quê,
mas na guerra desta dúvida
há mais luz do que na paz do consenso.



Jaime Portela


42 comentários:

tulipa disse...


OLÁ Jaime

Gosto:
Há dias em que não percebemos
o que de noite vemos
de olhos abertos no escuro.

Começo por lhe agradecer mais uma excelente partilha!

Parabéns pela poesia.

Pois...fui fazer uma escapadinha e trago fotos

mas, desta vez peço, caso possa,
ir a este meu blogue e me dê uma ajudinha
Estou sem saber qual delas escolher
Ajude-me, p.f.

http://pensamentosimagens.blogspot.pt/

Abraço e bom fim de semana
Tulipa

A Nossa Travessa disse...

Caro Jaimamigo

Não quero cair ou votar a cair, mas tenho de dizer: ah grande Poeta!!! :-)))))

Nuca mais voltaste à NOSSA TRAVESSA Que se passa? Estarás zangado comigo? Será que te ofendi, que difamei, que te chamei nomes?

Resolvidas estas interrogações, vem aqui de novo que pelo que lês abaixa, preciso do teu apoio e da tua solidariedade
_____________

REGISTO TRISTE

AVISO
UMA SEMANA FORA
A partir do domingo próximo, dia 1 de Dezembro, a Raquel e eu vamos estar fora de Lisboa; voltamos no domingo dia 9 do mesmo mês. O período de dez dias vai servir-nos para limpar as nossas cabeças que estão completamente baralhadas…
Por isso só vamos recomeçar a trabalhar e a sofrer a partir do dia 10 isto se tiver resultado a semana acima. Qjs e abçs para todos vocês; e mito obrigado pelo apoio que nos têm dado durante quase um ano,
Raquel e Henrique, o Leãozão
.

Cidália Ferreira disse...

Maravilhoso poema! Amei, como sempre


Beijo. Bom fim de semana

Andreia Morais disse...

Incrível poema!

Bom resto de semana*

Franziska disse...

Há uma guerra sem tréguas
na vida que em paz nos há de açoitar
no instante da morte.

Somos borboletas erráticas
por entre fogos punitivos
que por vezes são vazios de sentido.

Estas dos estrofas las he encontrado llenas de sentido y de filosofía. Me ha gustado mucho todo el poema. Saludos muy afectuosos y cordiales.

Larissa Santos disse...

Boa noite. Lindo demais, este poema. Adorei

Bjos
Noite feliz

Novo tema; {O carinho não se pede, não se mede, não se nega...}

Aline Goulart disse...

Uau! Jaime, mais uma poesia tua na minha lista de favoritos. Que poesia bela! Que retrata bem as nossas certezas e incertezas sobre a existência. Bravo!

Beijinhos.

Célia Rangel disse...

É esse mistério que nos motiva a infiltrarmo-nos em nossas descobertas interiores! Desejo-lhe paz e bem!
Abraço.

Andreia Morais disse...

r: Vale bem a pena :)
Eu é que agradeço pelo feedback!

Obrigada e igualmente*

Elvira Carvalho disse...

Ninguém sabe, amigo. Mas todos gostamos de cá andar. Por muitas dúvidas que nos assaltem.
Abraço

Graça Sampaio disse...

Muito bom! Passageiros sem bilhete nem rota é o que somos, de facto.

Beijinho e bom feriado.

luar perdido disse...

É esse, querido amigo Jaime, o mistério da nossa existência. Não sabemos de onde vimos nem tão pouco para onde vamos. Apenas - vamos - borboletas, teias de aranha, ou simples folhas que o vento empurra e eleva na aragem dos dias.

Mais um poema lindíssimo, como sempre, meu amigo.

Bom fim de semana.
Beijo de luar

Gracita disse...

Olá Jaime
Fantástico este teu poema que nos diz das certezas e incertezas que nossa efêmera vida
Um abraço

lua singular disse...

Oi Jaime,
Do que eu sei, nós viemos ao mundo para pagar os pecados de Adão e Eva e, o que nós temos com isso.
Tantas coisas inexplicáveis na Bíblia que nem é bom lê-la na sua íntegra.
Beijos no coração
Lua Singular

Pedro Coimbra disse...

Muito menos sabemos para onde vamos, acrescentaria eu.
Aquele abraço, bfds

Marta Vinhais disse...

Há dias em que estamos em guerra com a nossa alma e culpamos o Mundo...
Há dias em que o Mundo está em guerra connosco e pensamos que somos os culpados....
Apesar de todas as dúvidas, continuamos a caminhar...
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

Luiza Maciel Nogueira disse...

Como somos frágeis diante de tudo, "borboletas erráticas" - quantas imagens dotadas de profundidades poéticas. Adoro tua poesia poeta!! Um abraço!

Graça Pires disse...

Frágeis que somos, temos a coragem necessária para enfrentar a vida, mesmo sem sabermos "de onde vimos nem para onde vamos"... Gostei imenso.
Um bom fim de semana, Jaime
Um beijo.

Beijaflor disse...

Uma vez que há vida vim ter
Procuro a paz e cordialidade
Fazendo dela o melhor viver
Na sua vasta feira de vaidade!

Não tenho medo de nada
Da força, faço meu suporte
Andarei perdido na estrada
Assim me apanhará, a morte!

Mas até tudo isso acontecer
Sorvo tudo que é encantador
Deixando sempre a escorrer
Melodias e palavras de amor!

Sendo a vida uma passagem
Não entendo tanta crueldade
Andando toda esta gatunagem
A espoliar e matar a humanidade!

Abraço

Daniel Costa disse...

Jaime Portela

Podemos não saber porque, mas sabemos gostar de viver, eu que o diga que fiz dezassete anos desta segunda encarnação. Altura que, depois de um grande AVC, com operação cerebelo, trinta dias em coma profundo e quinze em semi-coma. Do hospital de Santa Maria, tive alta. À família foi entregue um relatório médico, que reza assim: O doente jamais recuperará, o mais que poderá é ficar a vegetar toda a vida!
Seis anos dormi 18h00 horas/dia. Nos seis anos como Freelançer, escrevi para uma revista de Madrid. Foi então que aos poucos fui recuperando e eis-me!
O INÉDITO SEMPRE SERÁ NOTICIA
Milhares de escritores, em Portugal, editam livros, mas de poesia histórica, só fica a haver o livro: SENHORA DO MAR, de Daniel Costa, jornaleiro (de jorna), jornalista, escritor…
Preço capa: Portugal. 11.00 €uros
Brasil: 44 Reais
Pedidos: box do facebook, dan.costa@zonmail.pt, ou 135 932795115.
Peça, aguarde receber o livro, abra e logo a seguir à capa encontrará nota de como pagar.
O livro SENHORA DO MAR, será distribuído no Brasil, por Editora Chiado de São Paulo.

Abraço


Os olhares da Gracinha! disse...

Ler seus poemas é sempre um duplo prazer pois além de bem escrita tem belas mensagens!!!
Obrigada pela visita e que dezembro seja um mês especial em sua vida!!!

Carmen Lúcia.Prazer de Escrever disse...

Quantas incertezas pairam sobre nós,apenas sabemos que estamos vivos para enfrentarmos todos os obstáculos em nossas vidas.
Lindo poema Jaime.
Bjs e obrigada pela visita.
Carmen Lúcia.

Ana Freire disse...

E por entre mil dúvidas... a vida só nos acontece, enquanto não pensamos no seu fim...
Um poema muito belo e profundo, Jaime... que nos faz reflectir... em como cada instante, vale a pena...
Beijinho! Bom fim de semana!
Ainda continuarei um pouco ausente, nos próximos dias... mas vou espreitando os blogs, sempre que der... enquanto a minha mãe se recupera de uma pequena intervenção... carecendo, por isso da minha atenção!... Mas tudo a correr bem, felizmente...
Ana

Manuel Veiga disse...

Caro Jaime

poema de grande qualidade
e sabedoria.

forte abraço

Agostinho disse...

Não sabemos de onde viemos, para onde iremos e, para cúmulo, nem onde estamos. Digo, o presente é de uma precariedade absoluta que se esboroa a cada instante.
Será essa a beleza (acima da dos deuses que se julgam eternos) da nossa existência?
Magnífico poema, Jaime.
Abraço.

Teresa Almeida disse...

"Entregamo-nos à existência
sem sabermos para quê,
mas na guerra desta dúvida
há mais luz do que na paz do consenso."

Nesta dúvida que nos atormenta, persistimos.

Beijinho amigo.

Anete disse...

Um poema tão profundo e reflexivo! A vida com as suas maravilhas e questionamentos!...
Abraço e bom Dezembro p vc e família...

Pedro Luso disse...

Gostei muito deste seu poema, do qual transcrevo, com a sua licença, os belos versos que abrem o poema
:
Há montanhas de genes invisíveis
que se movem dentro de nós
até nos soterrarem sem vida.


Parabéns, amigo. Uma excelente semana.
Um abraço.
Pedro

© Piedade Araújo Sol disse...

JP

um poema profundo e sábio no seu mistério.

e acho o seu terminus excelente.

gostei muito de ler.

beijinhos

)

BETONICOU disse...

Oi Jaime! Descrevestes muito bem nossa condição humana meu amigo. Como me sinto descrito em seu belo e reflexivo texto, tão cheio de verdades....Exatamente isso ! Obrigado pela gentil presença la´no blog. Grande abraço e ótima semana.

Minhas Pinturas disse...

Sabes o quanto gosto de seus poemas, falam verdades que me atingem e com as quais concordo plenamente. Você é o POETA, assim com todas as letras maiúsculas. Abração.
Léah

Ailime disse...

Boa noite Jaime,
Magnífico poema!
E tantas vezes que as nossas vaidades não nos deixam ver o quão limitados somos e que a vida é apenas uma passagem.
Um beijinho e boa semana.
Ailime

Edumanes disse...

Desde que nascemos até morrer. De viagem por este mundo, repleto de belezas, as quais sem importância para quem não lhe atribui qualquer valor significativo. São aqueles que colocam os interesses materiais à frente das pessoas. Não se importando com as gerações futuras!

Tenha uma boa noite caro amigo Jaime Portela, um abraço,
Eduardo.

Arte & Emoções disse...

Oi Jaime! passando para me deliciar com a leitura de mais uma das tuas belas criações.

Abraços e uma ótima semana para ti e para os teus.

Furtado

Maria Rodrigues disse...

A vida é feita de incertezas.
Belíssimo poema.
Um abraço
Maria de
Divagar Sobre Tudo um Pouco

Berço do Mundo disse...

Hoje está com uma visão um pouco catastrófica da condição humana, amigo vianense.
Mas este lado mais sombrio também faz parte de nós. E aqui continuamos, no limbo da dúvida, à espera de dias mais alegres.
Abraço, uma linda semana
Ruthia d'O Berço do Mundo

Lucia Silva disse...

Poema rico, intenso de sentimentos, verdades e meditações! Você é um poeta que sabe atingir maravilhosamente nossa alma.
Beijos no coração!

Diana Fonseca disse...

Desde que nos orgulhemos do que somos, está tudo bem.

a.filoxera praga disse...

Olá, Jaime.
São tempos mais de FB que de blogues, estes...
Tempos erráticos e de incerteza.
Sê bem reaparecido!
Obrigada.

Fá menor disse...

Façamos o nosso melhor, e as luzes do que somos e para onde vamos nos serão dadas por acréscimo.

Beijinhos!

Jaime Portela disse...

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Caros amigos, obrigado pelos vossos comentários. Voltem sempre.
Entretanto, acabei de publicar um novo poema. Espero que gostem.
Continuação de boa semana.
Saudações poéticas.
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Rita Sperchi disse...

Seguindo um grande poeta,e desejando
um final de ano cheio de muita paz e sabedoria
Adorei a poesia


Abraços com carinho!

└──●► *Rita!!