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quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Pesadelo



Imaterial e desmedido,
carregado de estátuas
que se movem emancipadas a roçar a pele,
procura a barriga absorta do sono
enquanto imagens pardas de monstros
o alimentam de espaços voláteis
e de relógios ambíguos
numa babel irreprimível.

Manietada,
entrando e fugindo do olhar fechado,
que acende e apaga o tormento
ao ritmo de novas estátuas
que se vão dissolvendo e substituindo,
a vontade trava um duelo impotente
para unir o tempo imóvel
que se diverte
a engolir os gritos de sons invisíveis.

Numa rotura de suor,
os fantasmas pintados nas pálpebras
são finalmente expulsos pela razão,
ainda dormente,
e o sossego retoma a espessura do nada.
A batalha foi ganha,
mas nos ossos doridos fica a certeza
de uma guerra sonolenta e repetível…



Jaime Portela


40 comentários:

Karocha disse...

Belíssimo Jaime .
Bfs

Bjocas

Célia Rangel disse...

Essa é uma guerra diária! Fantasmas (reais) que roubam nosso sossego!
Abraço.

Cidália Ferreira disse...

Adorei o seu poema!!

Beijinhos

Andre Mansim disse...

Que pesadelo!!!!
Doeu até em mim.

Texto inteligente e complexo. Muito bom!


Um bom final de semana pra você poeta!!

Andreia Morais disse...

Fantástico! Gosto sempre de ler os seus poemas

r: É uma autora que acaba por dividir opiniões
Sim, é verdade, eu sou uma delas :)

Obrigada e igualmente

lua singular disse...

Oi Jaime,
Adorei sua poesia
Maravilha
Beijos
Lua Singular

manuela barroso disse...

Essa batalha , devia ser um pesadelo .
Mas pensemos no clarear do dia e na metamorfose da estátua !
Beijinho , Jaime !

Pedro Coimbra disse...

Um sono muito agitado e muito pouco repousante.
Aquele abraço, bfds

Poemas em dó menor disse...


Os pesadelos são mesmo assim.
Muito bom, Jaime, como sempre.

Beijinho e boa noite... sem pesadelos. rs

Marta Vinhais disse...

Uma guerra sem tréguas....sem rendição.... Porque há sempre traições...
Interessante....
Obrigada por ter lido o meu conto - reuni as minhas personagens habituais neste conto e lamento que o "Jacinto Jardineiro" nos tenha deixado, mas a vida surpreende-nos.
Beijos e abraços
Marta

Graça Pires disse...

Nem sempre é preciso o sono para que cheguem pesadelos assim... A vida transforma-se tantas vezes e para tantas pessoas num enorme pesadelo. É preciso vencer os fantasmas... Gostei muito do poema, Jaime.
Um bom fim de semana.
Beijos.

Os olhares da Gracinha! disse...

E se não vencemos ... é bem doloroso!
Gostei de ler ... bj

Carmen Lúcia.Prazer de Escrever disse...

Lindo poetar Jaime!
Não esqueça dos amigos que lhe visita e eu sou uma delas.rs
Bjs e um ótimo final de semana.
Carmen Lúcia.

Daniel Costa disse...

Jaime
Em poesia, um bom desenho de um pesadelo a indiciar uma grande versatilidade poética.
Abraço

luar perdido disse...

Serão fantasmas pintados nas pálpebras adormecida de pesadelo, ou uma noite de inverno em que o gelo e a escuridão invadiu o sono? Um belíssimo poema, amigo Jaime.
Estas batalhas são, de facto, repetíveis, e deixam um amargo traço de estranheza e imponderabilidade nos ossos. Pesadelos são... um verdadeiro pesadelo.

Bom fim de semana, querido amigo.
Beijo de luar

Franziska disse...

Sugerente poema. Mis felicitaciones. Gracias por compartirlo, un abrazo fraterno desde Alcalá de Henares. Franziska

Acordar Sonhando . SOL da Esteva disse...

Os pesadelos assombram-nos a cada canto (infelizmente). Na verdade, Jaime, os piores pesadelos são os que vivemos acordados.
Um bom Poema.


Abraço
SOL

Ana Tapadas disse...

Sei tão bem o que são pesadelos!
Belíssimo poema.

Beijinho

Suzete Brainer disse...

Caro Jaime,

Um excelente poema a descrever a dinâmica de um
pesadelo. Mas, o melhor é sonhar e escrever
poesia, assim na tua expressividade sempre
excelente e inspirada.

Voando nos espaços dos amigos para deixar
votos de um feliz final de semana!
Beijo.

Evanir disse...

Ainda é tempo de apreciar as flores que estão inteiras ao nosso redor.
Ainda é tempo de voltar a Deus e agradecer pela vida física,
que embora passageira, se perpetua em nós espiritualmente..
Venho te deixar meu carinho.
Desejar um abençoado final de semana .
Saúde sem ela não teremos paz.
Beijos carinho e saudades.

SILO LÍRICO - Poemas, Contos, Crônicas e Outras disse...

Nossa vida é um surrealismo
Onde a alma e a cabeça
Brigam, mas que permaneça
A paz, como eu analiso e cismo,

Porque, na verdade, o abismo
Entre ambas, é avessa
À luz. Que pois não mereça
Castigo, quando o catecismo

Cristão separa alma e mente
E assim o que a gente sente
É sempre mais corporal

Então, é conveniente
Sonhar e esquecer urgente
Do extra-sensorial.

Grande abraço. Laerte.

Pedrasnuas disse...

A descrição magistral de um pesadelo... em que as metáforas também são pesadelos para quem quiser entrar nesta trama que se assemelha aos pesadelos reais! E à escala planetária! Há que trazer à cena a esperança, embora cada vez mais escorregadia, contudo, tem de haver salvação!

Bom fim de semana

Beijo

Zilani Célia disse...

OI JAIME!
PESADELOS, SEMPRE OS TEREMOS E MUITAS VEZES, ACORDADOS.
LINDEZA , AMIGO.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Lilazdavioleta disse...

É isso ... pesadelos que espantam a serenidade do sono , até porque " nos nossos ossos doridos fica a certeza uma guerra repetível… "

Óptimo poema , carregado de actualidade .


Bom domingo , Jaime .
Beijo ,
Maria

© Piedade Araújo Sol disse...

JP

sei bem o que são esses pesadelos e o espectro da insónia

sei esses fantasmas irreais e por vezes não que chegam para nos povoar o sono

um poema fortíssimo e carregado de emoções (pelo menos eu assim o li)

uma boa semana para si

beijinhos

:)

Tais Luso disse...

Nada bom, sacrifício essas insonias, mas muitas vezes tiro proveito delas, não brigo, são momentos que formo na mente meus escritos! Brigar com insonia é batalha perdida!
Beijo, amigo Jaime! Uma ótima semana, sem insonias!

Louraini Christmann - Lola disse...

Sonhos...
Pesadelos...
Meu pai dizia que todo sonho é bom.
Se for sonho bom, dá alegria pelo sonhado.
Se for sonho ruim, dá alegria pelo acordar.
Bem isso, meu pai!

abraço, amigo!

Teresa Isabel Silva disse...

Foi um dos meus poema favoritos, talvez por me identificar!

Bjxxx
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BETONICOU disse...

Caro poeta, sempre tenho insonia , e vez ou outra pesadelos. Essa é uma luta constante contra fatores que não vemos, apenas sentimos. Alias, uma guerra que não faz sentido tentar repelir...Vamos tendo , e sonhando, quando o bendito sono nos abraça verdadeiramente...Ótima semana Jaime! Um grande abraço do além mar!

Maria Rodrigues disse...

Pesadelos no sono e pesadelos na vida, são todos terríveis deixando por vezes algumas marcas dolorosas.
Belissimo poema
Um abraço
Maria de
Divagar Sobre Tudo um Pouco

Arte & Emoções disse...

Esporadicamente o pesadelo tempera com um pouco de emoção. Rsrs. belo poema Jaime.

Abraços,

Furtado

Rui Pires - Olhar d'Ouro disse...

Impressionante a delicadeza com que o meu amigo emprega as palavras!
Excelente!
Abraço

Fá menor disse...

"Quem me leva os meus fantasmas?"
Por vezes os pesadelos são bem reais, e esses são os piores.

Beijinhos.

Ana Freire disse...

Pelo menos, estes, serão fantasmas mais fáceis de combater... os do sono... embora consigam ser igualmente tão desgastantes... como os reais... pois involuntariamente, vivemos em pleno... sonhos... ou pesadelos...
Um poema belíssimo, que tão bem abordou esta temática!... Afinal... bem lá no fundo... cada um, terá os seus próprios fantasmas...
Beijinho! Continuação de uma óptima semana, Jaime!
Ana

Emília Pinto disse...

Batalhas de variadas formas se travam na nossa sociedade, nem sempre com armas e muito menos com canhões; monstros aparecem em cada esquina tirando o nosso sossego, espalhando o medo, ceifando vidas que em desespero correm da estátua que parece mover-se . Não se movem as estátuas, mas amedrontam na escuridão em que as cinzas transformaram os caminhos tornando o sonho de cada um em pesadelos que alimentarāo a sua alma por tempos indeterminados; não sei se a batalha foi ganha, mas sei que a guerra não terminou; terá talvez um intervalo ....
Amigo Jaime, não sou nada sonhadora e pesadelos tenho-os de noite enquanto durmo; voos muito altos nunca gostei de fazer, pois tenho medo da queda; vou caminhando, " pé - ante -pé", não desejando demais da vida, vivendo-a com simplicidade, sem ambição maior, mas... gostaria de ter a capacidade de , acordada ou a dormir, sonhar com o fim das barbáries do ser humano; não sonho, como te disse e essa esperança também não a tenho. Sou sempre muito sincera e portanto não posso dizer o que não penso. Mas...agora o que penso e digo sinceramente é que gostei de " viajar "com as tuas metáforas e que pesadelos por causa delas não terei. Beijinhos, amigo e ....sonha muito!!!
Emilia

Genilda Maria da Silva disse...

Amigo, esses dias ando atarefada com meus afazeres e com meu netinho que está muito sapeca, graças a Deus. Hoje passei para deixar um abraço e agradecer sua visita que para mim é um presente. Abraços, tenha uma linda noite.

Jaime Portela disse...

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Caros amigos, obrigado pelos vossos comentários. Voltem sempre.
Entretanto, acabei de publicar um novo poema. Espero que gostem.
Continuação de boa semana para todos.
Saudações poéticas.
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Teresa Almeida disse...

Nunca esqueci o filme "Babel".
Este pesadelo é mesmo estilo Babel, aqui adaptado à poesia por quem tão bem a sabe edificar.

Parabéns, Jaime, e bom fim de semana.

Elza Interaminense disse...

Boa noite!
Vim agradecer sua amável visita ao blog da biblioteca na qual sou moderadora. É muito bom iniciar um trabalho na blogsfera e sentir que estamos agradando. Os elogios dos seguidores, o seu tem motivado a continuar. Obrigada de coração.
Desculpe hoje está com uma visitinha rápida, depois de um longo dia de trabalho, faço isso com carinho para lhe agradecer e dizer, muito obrigada!
Abraços da amiga Elza e da colega Lourdes que juntas tentamos acertar com as postagens.

graça Alves disse...

Gostei muito, Jaime.
Sempre inspirado!
Bj